< Dr. Sérgio Vaisman
Logotipo

Ícone Minha Opinião Minha Opinião

Colesterol é mesmo o grande vilão?

Sabemos que as doenças do coração e o derrame cerebral são as principais causas atuais de morte no nosso mundo. O fato interessante para se frisar é que a primeira constatação de um problema de entupimento de artéria coronária foi feita em 1890 por um médico americano durante um procedimento de necrópsia e o que ele viu era considerado inédito até aquele momento. Passados alguns anos (1909 e 1910), médicos russos publicaram um primeiro caso conhecido de infarto do miocárdio e em 1912, James Herrick, clínico americano, fez a divulgação mundial deste problema até então pouquíssimo conhecido. De lá para cá, o aumento estrondoso de casos de doenças cárdio-vasculares foi aumentando paralelamente às mudanças adquiridas ao longo do tempo pela humanidade no que diz respeito aos hábitos e estilo de vida.
Com o passar do tempo, o sedentarismo, o aumento de pêso, a industrialização dos alimentos, o tabagismo e o stress emocional foram fazendo parte do dia a dia das pessoas e, com isto, trazendo mais facilidade de aparecimento de doenças, principalmente as circulatórias e a bem conhecida Diabetes.
No início do século XX, o colesterol foi considerado o grande vilão naquilo que se considerava a causa principal do problema.Durante anos criou-se o conceito de colesterol alto poderia ser considerado até mesmo "condenação à morte" por infarto. Este conceito durou até há pouco tempo, embora muitos profissionais da área da Saude ainda não se acostumaram com o fato de que necessitamos de colesterol até mesmo para nos conservarmos vivos. Ele participa da constituição de TODAS as nossas células do corpo e faz parte da produção de várias substancias e hormonios.Muitos pacientes sofrem infarto agudo do miocárdio tendo níveis de colesterol e frações dentro dos padrões normais. O que devemos atentar é para a oxidação da fração LDL, errôneamente chamada de "mau colesterol". Friso que LDL não é colesterol e, sim, uma proteina transportadora de colesterol a partir do fígado e o levando para o interior das artérias enquanto o HDL, tambem errôneamente chamado de "bom colesterol", é uma proteina que faz o caminho inverso do LDL, levando-o de volta para o fígado que o metaboliza. Para sabermos quanto de LDL é oxidado, devemos dosar uma sua fração chamada APOLIPOPROTEINA B.Esta, quando elevada, sinaliza riscos maiores e o tratamento deve ser instituído especìficamente para fazer o controle adequado. Colesterol total e LDL elevados não são obrigatòriamente vilões se a APOLIPOPROTEINA B estiver normal.
Infelizmente, muitos médicos ainda não adquiriram o hábito de solicitarem a dosagem desta fração oxidada nos exames de rotina que, friso, é para mim fundamental para avaliar riscos do ponto de vista cárdio-vascular.
A Ciência muda conceitos com frequência e devemos ficar atentos a essas mudanças para que possamos continuar nos aprimorando nos conhecimentos e protegendo os pacientes que de nós precisam os melhores conselhos e condutas.
A Medicina, por ser uma ciência biológica, exige dos médicos a atualização permanente dos conceitos.
" O principal papel do médico é conquistar a confiança e tranquilizar o paciente" (Pascal)
<